O Japão decidiu apertar as regras de circulação nas zonas residenciais, com o limite de velocidade a baixar de 60 para 30 km/h em grande parte das ruas mais estreitas do país.

A alteração aplica-se a vias que não têm uma linha central, nem um limite de velocidade definido através de sinalização específica. Estas são comuns nas cidades japonesas, onde muitas ruas residenciais são demasiado estreitas para ter passeios, fazendo com que automóveis, bicicletas e peões circulem no mesmo espaço.

No total, a nova regra abrange cerca de 870 mil quilómetros de estradas com menos de 5,5 metros de largura, o que corresponde a aproximadamente 70% da rede rodoviária do Japão.

A decisão surge numa altura em que as autoridades continuam preocupadas com a segurança nestas zonas. Embora o número global de mortes provocadas por acidentes rodoviários esteja a diminuir, os casos mais graves em áreas residenciais continuam a ser uma preocupação.

Em 2024, morreram 2 mil e 457 pessoas nas estradas japonesas, o número mais baixo desde o início dos registos. No entanto, desde 2021, os acidentes mortais ou que provocam ferimentos graves entre crianças e idosos em ruas residenciais têm rondado os 300 casos por ano. Em 2025, esse número voltou a aumentar.

Os dados da Agência Nacional de Polícia japonesa foram também determinantes para a alteração do limite. De acordo com as autoridades, quando um veículo circula a 30 km/h ou menos, a probabilidade de um peão morrer na sequência de um atropelamento é inferior a 1%.

Esse risco aumenta para 2,7% quando a velocidade do veículo se situa entre os 30 e os 40 km/h. Nos casos em que a colisão acontece entre os 50 e os 60 km/h, a probabilidade de morte sobe para 17,4%.

O Japão já tinha testado uma estratégia semelhante. Em 2011, foram introduzidas as chamadas "zonas 30" em determinadas áreas residenciais e nas proximidades de escolas. Segundo as autoridades, a iniciativa contribuiu para uma redução de cerca de 30% no número de mortes e feridos graves nesses locais.

Com a aplicação da nova regra a uma parcela muito mais extensa da rede rodoviária, o Governo japonês espera replicar esses resultados e tornar mais seguras as ruas onde peões, ciclistas e veículos são obrigados a partilhar o espaço.