O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, de 49 anos, acusou este domingo, dia 6, o Governo de estar a preparar um “assalto” à Segurança Social, durante o discurso de encerramento do comício da 50.ª Festa do Avante!, na Quinta da Atalaia, no Seixal. Perante milhares de apoiantes, o líder comunista defendeu que o problema do país não está apenas em casos ou polémicas envolvendo membros do Executivo, mas na própria “política de Governo”, que, afirmou, “merece censura”. Raimundo não fez, contudo, qualquer referência direta à moção de censura apresentada pelo Chega.

As críticas centraram-se sobretudo nas políticas económicas e sociais do Executivo. Paulo Raimundo acusou o Governo de servir os “grupos económicos” e de utilizar os problemas estruturais do país como pretexto para transferir recursos públicos para os grandes interesses económicos. Sobre a Segurança Social, afirmou que o Executivo pretende criar condições para que “o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores”, apelando aos trabalhadores, reformados e jovens para rejeitarem aquilo que classificou como um “assalto que está em marcha”.

O líder do PCP questionou ainda a política energética do Governo, nomeadamente a entrada do Estado no capital da REN, depois de o primeiro-ministro ter associado essa medida a uma possível redução dos preços da eletricidade. “Se é assim”, questionou Raimundo, “porque razão o Estado, que hoje detém 8% da Galp, não faz baixar os combustíveis e o gás de botija?”. No final, desafiou “todos os que não se resignam” a apoiar um “projeto de rutura e mudança, patriótico e de esquerda”, defendendo que existe força para “resistir e vencer”.

Na dimensão internacional, Paulo Raimundo voltou a condenar as políticas dos Estados Unidos, da NATO e da União Europeia, que acusou de alimentar conflitos no Leste Europeu e no Médio Oriente. O secretário-geral comunista reafirmou a solidariedade do PCP com a Palestina, a Venezuela e o povo sarauí, e dedicou particular atenção a Cuba, cujo bloqueio norte-americano classificou como “uma autêntica declaração de guerra”. “Cuba não está só, Cuba vencerá”, afirmou, sendo acompanhado pelos milhares de participantes no comício.

Crédito: PCP / Youtube