Luís Montenegro defendeu esta segunda-feira, dia 10, que a avaliação interna e a auditoria à Polícia Judiciária (PJ) são necessárias para esclarecer as dúvidas suscitadas pelas informações que têm vindo a público sobre o funcionamento da instituição e garantiu que o processo deve contribuir para reforçar a confiança nas instituições.

“Quando há dúvidas, elas devem ser desfeitas”, afirmou o primeiro-ministro, de 53 anos, em declarações transmitidas pela RTP. O chefe do Governo sustentou que é “precisamente tirando a limpo tudo aquilo que são situações que têm vindo a público” que é possível “credibilizar as instituições e a vida do País”.

Montenegro considerou ainda que o escrutínio deve ser encarado com “um espírito um pouco mais consensual”, defendendo a normalidade dos mecanismos de fiscalização: “O que seria estranho era que não houvesse fiscalização e auditorias, cujo objetivo é clarificar e detetar desconformidade, se for o caso, ou comprovar a regularidade das decisões que foram tomadas ao longo dos anos. É isso que estamos a fazer com tranquilidade, serenidade e confiança.”

Também esta segunda-feira, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, rejeitou que esteja em causa uma averiguação “política ou pessoal” e afirmou que o objetivo é “proteger a PJ e defender as instituições”. A governante garantiu ainda a independência do processo e afastou qualquer interferência do Executivo.

A avaliação interna e a auditoria foram solicitadas na semana passada pelo Ministério da Justiça, recorde-se, na sequência das questões divulgadas sobre o funcionamento interno da PJ e processos de avaliação eventualmente instaurados pelos serviços de disciplina e inspeção.

A polémica envolve Luís Neves, atual ministro da Administração Interna e antigo diretor nacional da PJ. Em julho, foi noticiado que uma empresa que realizou obras numa propriedade do governante em Odemira tinha anteriormente executado trabalhos para a Judiciária. A PJ anunciou depois a abertura de um inquérito relacionado com um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado ligado a um camião dessa empresa. A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos no processo conhecido como Operação Pacoba.

Luís Neves já afirmou estar “absolutamente tranquilo” e considerou que a ministra da Justiça “ordenou e ordenou bem” a auditoria.