María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz de 2025, regressou este domingo à Venezuela, quase dez meses depois de ter deixado o país. O anúncio foi feito pela própria nas redes sociais, durante a manhã: "Estoy aquí, con ustedes" ("Estou aqui, convosco").

O regresso acontece depois de pelo menos sete tentativas falhadas nos últimos três meses. Machado tentou entrar por mar, em voos comerciais e privados e por terra, a partir dos Estados Unidos, do Panamá e de Curaçau. Todas foram bloqueadas ou canceladas à última hora, umas por avarias, outras sem explicação.

Ninguém do círculo próximo da dirigente identificou publicamente quem a impediu de viajar. Segundo o El País, a passagem segura dependia da luz verde de Washington, que até agora não tinha chegado.

Machado saiu da Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz em Oslo, depois de cerca de um ano escondida para escapar à detenção. Desde então esteve sobretudo no Panamá, de onde preparava o regresso.

A chegada é um desafio direto ao chavismo, que se mantém no poder com Delcy Rodríguez como presidente interina desde a captura de Nicolás Maduro numa operação militar norte-americana, em janeiro. Rodríguez já tinha avisado que Machado teria de responder perante a justiça se voltasse ao país.

Na quinta-feira, dia 22, milhares de pessoas saíram à rua em Caracas e noutras cidades para exigir eleições presidenciais em 2027 e o regresso seguro da líder opositora. O comité de direitos humanos do Vente Venezuela, o partido de Machado, denunciou sete detenções no final da marcha.

Créditos: @mariacorinamachado/Instagram