O empresário Mário Ferreira afastou esta segunda-feira qualquer possibilidade de comprar o histórico paquete Funchal, colocado à venda em leilão por um valor-base de 800 mil euros.

Numa publicação no Instagram, o empresário revelou ter recebido a capa do Jornal da Madeira acompanhada por um apelo: “Compre e salve o paquete Funchal”.

Apesar de reconhecer que o navio beneficiou de investimentos de vários milhões de euros, incluindo a retirada do amianto e a reabilitação das zonas públicas e dos camarotes, o dono da Mystic Invest garante que não entrará na corrida. “Não compro nem voltarei a comprar nenhum navio neste tipo de situação, em Portugal”, escreveu.

A decisão surge 'marcada' pelo caso do Atlântida, adquirido por Mário Ferreira em 2014 por 8,7 milhões de euros, depois de o ferry ter sido recusado pelo Governo dos Açores, sendo que onempresário sustenta que, em vez de serem responsabilizados os gestores que conduziram o projeto ao fracasso, as atenções se viraram contra quem encontrou uma solução para o navio.

Mário Ferreira admite que poderia transformar o Funchal e valorizá-lo, mas deixa um recado direto aos seus críticos: rapidamente surgiria quem recordasse as dezenas de milhões de euros investidas no paquete e perdidas por “incapacidade de gestão”.

O empresário desafia agora aqueles que reclamam a preservação do navio a avançarem com uma proposta. “Aqui têm uma oportunidade, comprem e mostrem como se faz”, escreveu, encerrando a publicação com um sorriso.

Construído há 65 anos, o Funchal é um dos mais emblemáticos navios portugueses. A sua venda decorre no âmbito de um processo de insolvência, depois de anos de imobilização e de sucessivas tentativas para assegurar um novo futuro ao paquete.