A polémica em torno da correção digital dos exames nacionais continua a dar que falar e, para Mário Nogueira, que pertence ao conselho nacional da direção, o problema resulta de uma sucessão de decisões erradas do Ministério da Educação. Em exclusivo ao 24Horas, considera que o País está perante "um caso evidente de incompetência e de irresponsabilidade", apontando diretamente responsabilidades políticas ao ministro da Educação, Fernando Alexandre.

Na origem dos constrangimentos, o antigo líder da Fenprof diz estar uma reforma da administração educativa iniciada há cerca de um ano, que levou à extinção de várias direções-gerais e à transferência de competências para institutos públicos e empresas privadas. O antigo líder da Fenprof critica ainda a decisão de avançar com a digitalização das provas apenas na fase da correção, considerando que o processo não foi devidamente preparado nem testado.

"É discutível terem optado pela digitalização das provas para efeitos de correção sem primeiro testar. Os exames continuam a ser feitos em papel e depois têm de ser digitalizados para os professores corrigirem em PDF, o que até dificulta a leitura", atira.

Para Mário Nogueira, a prioridade do ministério passa agora por resolver rapidamente os problemas criados, uma vez que o atraso na correção está também a afetar o funcionamento das escolas: "As escolas deveriam estar agora preocupadas com a preparação do próximo ano letivo e continuam envolvidas nas correções. Espera-se ainda um número inédito de pedidos de recurso, o que significa que este processo se vai arrastar por mais algum tempo."

Mais do que um problema pontual, Mário Nogueira entende que a situação reflete uma gestão marcada por decisões precipitadas em várias áreas da educação, apontando exemplos como a revisão da educação inclusiva, alterações ao modelo de gestão das escolas e a anunciada fusão do 1.º e 2.º ciclos.

Questionado sobre se o ministro deve permanecer no cargo, é perentório: "Na minha opinião, deveria assumir a responsabilidade política por aquilo que não conseguiu fazer. Quando os limites da competência técnica são ultrapassados, a pessoa mais não deve fazer do que demitir-se ou ser demitida."