Mais de metade dos jovens inquiridos em Portugal foi exposta a discurso de ódio na Internet. O estudo EU Kids Online, que ouviu 2111 participantes entre os nove e os 17 anos, revela que essa exposição chega a 72% entre os adolescentes de 16 e 17 anos.
Os riscos vão além das mensagens discriminatórias. Cerca de 31% contactaram com conteúdos relacionados com automutilação, 27% com dicas de emagrecimento extremo e 37% com teorias da conspiração. Apenas 19% afirmam procurar intencionalmente conteúdos negativos.
Os investigadores destacam o papel das recomendações automáticas e das plataformas na chegada de materiais nocivos aos ecrãs. Os jovens de meios socioeconómicos mais desfavorecidos apresentam maior exposição à generalidade dos conteúdos analisados.
O inquérito mostra também que quase nove em cada dez crianças e adolescentes já utilizaram inteligência artificial generativa. Metade recorre a estas ferramentas para resumir textos ou ajudar nos trabalhos escolares, enquanto um quinto as usou para conversar ou procurar conselhos sobre saúde e preocupações pessoais.
O relatório identifica um maior acompanhamento parental e escolar, mas alerta para uma adoção tecnológica rápida, frequentemente sem orientação de pais e professores.

















