Portugal quer atrair investimento, mas continua a olhar com desconfiança para quem cria riqueza. É esta a contradição que Miguel Guedes de Sousa denuncia num artigo, de opinião publicado na edição desta semana do Expresso, em que apresenta a Comporta como exemplo dos desafios de conciliar desenvolvimento económico e qualidade de vida.
O fundador e CEO do JNcQUOI, um dos mais prestigiados grupos portugueses da indústria do luxo, que combina restauração, hospitalidade e experiências de ‘lifestyle’, e que é um dos principais responsáveis pela projeção internacional da Comporta, considera que transformar cada investimento num conflito alimenta populismos e não combate a pobreza. Reconhece que a chegada de capital aquela região trouxe emprego, atividade e projeção internacional, mas também pressão sobre a habitação, os acessos e os recursos naturais.
A resposta, sustenta, deve passar por planeamento e capacidade de atuação do Estado. Defende um plano a 20 ou 30 anos, envolvendo entidades públicas, comunidades, proprietários e investidores, que defina onde construir e preservar e assegure água, habitação, escolas, saúde e mobilidade.
O empresário também deixa um aviso ao setor privado: não basta construir hotéis e casas extraordinárias. É necessário perceber onde vivem os trabalhadores, onde estudam os filhos e quanto tempo perdem nas deslocações.
Ao mesmo tempo que recusa uma Comporta apenas para ricos, Guedes de Sousa defende uma região socialmente diversa, onde possam permanecer os que lá nasceram e os que escolheram instalar-se, sendo que na sua opinião, o sucesso deve medir-se pelo emprego, pelos salários, pela habitação disponível e pelo valor que fica na economia local. A ambição, conclui o ‘homem-forte’ do JNcQUOI, deve ser construir um país onde prosperar deixe de ser privilégio de poucos.

















