O artista plástico Bordalo II voltou a usar a arte para lançar uma crítica à crise da habitação. Desta vez, colocou a cidade do Porto simbolicamente à venda, através de uma instalação junto à Câmara Municipal, numa altura em que decorrem protestos pelo direito à habitação.
A intervenção foi divulgada na quinta-feira, 15, nas redes sociais do artista. Nas imagens, é possível ver uma placa vermelha com a inscrição "VENDE-SE", colocada sobre as conhecidas letras azuis com a palavra 'Porto', em frente aos Paços do Concelho. A publicação foi acompanhada por uma legenda curta: "Vendeu-se".
O vídeo partilhado mostra uma pessoa com um casaco identificado com a marca municipal a transportar a placa pelas escadas e a fixá-la na estrutura, na presença de um agente da Polícia Municipal. A instalação surge num momento de contestação na cidade, onde o movimento 'Acampada pela Habitação' ocupa, desde sábado, dia 10, a Praça D. João I, junto ao Teatro Rivoli.
Os manifestantes exigem medidas para combater a crise habitacional, nomeadamente o aumento da oferta de habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos, a imposição de limites às rendas e o fim dos despejos sem alternativa habitacional. Os protestos têm sido marcados por momentos de tensão, depois de a Polícia Municipal ter retirado tendas da praça.
Esta não é a primeira vez que Bordalo II recorre a uma instalação deste género. Em agosto de 2025, o artista colocou Lisboa simbolicamente à venda, através de um anúncio instalado no Cais das Colunas, no Terreiro do Paço. Na altura, a intervenção pretendia denunciar a especulação imobiliária e as dificuldades de acesso à habitação na capital portuguesa

















