"Há excesso de nabos, falta de tomates e muitos grelos abandonados". A frase pertence ao ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, foi proferida num programa da RTP, e caiu bastante mal junto de agricultores e não só.
O tom brejeiro, "a roçar mesmo a grosseria", na opinião de muitos, foi usado pelo governante para definir a agricultura portuguesa.
A 'graçola' vive do duplo sentido: a expressão "nabos" desclassifica os agricultores, "os tomates" abrem caminho à insinuação de que falta coragem, mas é no remate sobre os "grelos abandonados" que o trocadilho resvala para um registo a roçar a grosseria.
A política portuguesa guarda memória de dois episódios em que um gesto ou uma piada custaram o lugar a um ministro. A 2 de julho de 2009, em pleno debate do Estado da Nação, Manuel Pinho levou os indicadores à cabeça, imitando um 'par de cornos', em resposta a um aparte de Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. Discutia-se a situação dos mineiros de Aljustrel, e não restou outra coisa a José Sócrates se não pedir desculpa no Parlamento, classificando o gesto de "injustificável", aceitando nesse mesmo dia a demissão do ministro da Economia.
Dezasseis anos antes, em junho de 1993, Carlos Borrego, ministro do Ambiente de Cavaco Silva, contou em público uma anedota sobre os doentes que tinham morrido após a contaminação por alumínio da água usada na hemodiálise do Hospital de Évora. Sugeriu que os corpos podiam ser "reciclados" para aproveitar o metal. Uma rádio local gravou as palavras do governante, a anedota chegou aos noticiários e Borrego pediu a demissão.
















