A decisão do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, eleito pelo Chega, de embargar parcialmente as obras da futura dessalinizadora do Algarve poderá representar custos superiores a três milhões de euros por cada mês de paralisação, sendo que o caso está também a provocar uma polémica política, depois de ter sido denunciado um possível conflito de interesses envolvendo o autarca.

O embargo foi determinado a 30 de outubro, quando várias frentes de obra já estavam em execução, tanto em terra como no mar, tendo a autarquia invocado questões relacionadas com o Plano Diretor Municipal (PDM) e com a descarga de salmoura.

Segundo estimativas sobre as consequências da decisão, cada mês de paralisação poderá gerar encargos adicionais superiores a três milhões de euros, devido à mobilização de equipas, maquinaria, equipamentos e fornecedores.

A infraestrutura, adjudicada em outubro de 2024 por cerca de 108 milhões de euros ao consórcio Luságua, Aquapor e GS Inima, deverá produzir inicialmente 16 milhões de metros cúbicos de água por ano, reforçando a segurança do abastecimento numa região particularmente vulnerável à seca, sendo que a entrada em funcionamento está prevista para 2028.

Segundo fontes com sulktadas pelo 24Horas, o problema urbanístico que originou o embargo poderá ser ultrapassado rapidamente, uma vez que o PDM de Albufeira se encontra em revisão e já contempla a infraestrutura no local previsto. Entretanto, o Movimento Albufeira Sem Medo apresentou uma denúncia formal contra Rui Cristina, alegando um possível conflito de interesses pelo facto de o autarca acumular a presidência da Câmara com o cargo de vogal não executivo do Conselho de Administração da Águas do Algarve, empresa responsável pelo projeto.

Há quem não compreenda como é que, depois de acionar judicialmente a Águas do Algarve, Rui Cristina, eleito pela Chega, não tenha abandonado a administração da empresa

Este movimento exige a abertura de averiguações, o afastamento do autarca das decisões relacionadas com a dessalinizadora e a sua demissão da administração da empresa, para a qual foi nomeado em 1 de outubro, menos de um mês antes de determinar o embargo. A eventual incompatibilidade ainda carece de apreciação pelas entidades competentes.

Para além da controvérsia política, uma paralisação prolongada poderá comprometer os prazos de execução e provocar custos adicionais que acabem por se refletir nos municípios e consumidores do Algarve, incluindo os próprios habitantes de Albufeira, facto esse que está a gerar alguma preocupação junto de outros autarcas algarvios, dada este impasse colocar em causa o calendário de uma infraestrutura estratégica para garantir o abastecimento de água à região, precisamente quando o Algarve procura reduzir a sua vulnerabilidade a futuras situações de seca.