A Justiça do Paraguai ordenou a detenção do antigo presidente Santiago Peña, horas depois de o Senado ter aprovado o seu afastamento do cargo através de um processo de impeachment. O ex-chefe de Estado foi colocado em prisão domiciliária, em Assunção, no âmbito de uma investigação relacionada com o escândalo financeiro do Ueno Bank.

A ordem de detenção foi emitida pelo Ministério Público paraguaio, que investiga suspeitas de envolvimento de Peña em irregularidades financeiras, conflito de interesses e alegado favorecimento da instituição bancária. O antigo presidente também é suspeito de crimes relacionados com gestão fraudulenta e utilização indevida de influência política. As acusações ainda terão de ser apreciadas pela Justiça.

O caso ganhou dimensão depois de o Banco Central do Paraguai ter determinado a intervenção no Ueno Bank, na sequência de problemas financeiros que levaram à interrupção das suas atividades. Cerca de três milhões de clientes, incluindo reformados, ficaram sem acesso às suas poupanças e aos pagamentos depositados na instituição.

Peña tinha sido acionista do grupo empresarial que controlava o banco até 2025 e é acusado pela oposição de ter favorecido a instituição durante o seu mandato. O antigo presidente nega as acusações.

O afastamento de Peña foi aprovado por unanimidade no Senado, com 44 votos favoráveis. Com a destituição, perdeu a proteção institucional associada ao cargo e passou a estar sujeito à investigação criminal. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.