O setor empresarial do Estado moçambicano iniciou 2026 com sinais de consolidação financeira. No primeiro trimestre, a dívida das empresas públicas diminuiu cerca de 3%, refletindo o esforço do governo para reduzir os riscos associados a um universo que, durante anos, foi marcado por elevados níveis de endividamento e por sucessivas necessidades de apoio estatal.

A redução resulta da amortização de parte das responsabilidades financeiras e insere-se na estratégia de reestruturação das empresas participadas pelo Estado, considerada essencial para reforçar a sustentabilidade das contas públicas, e em que o presidente Daniel Chapo aposta fortemente. O executivo moçambicano tem vindo a defender uma gestão mais rigorosa destas entidades, procurando melhorar a sua eficiência operacional e reduzir a dependência do recurso ao crédito.

Apesar da evolução positiva, o volume de dívida das empresas estatais continua elevado, concentrando-se sobretudo em grandes grupos públicos dos setores dos transportes, energia e combustíveis. Nos últimos anos, empresas como os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a transportadora aérea LAM e a Petromoc figuraram entre as entidades com maior peso no endividamento do setor. ⁠

A melhoria surge numa altura em que Moçambique procura reforçar a credibilidade das suas finanças públicas junto dos parceiros internacionais e investidores. O desafio passa agora por manter a trajetória de redução da dívida, assegurando simultaneamente a viabilidade económica das empresas públicas e a sua capacidade para apoiar o crescimento da economia do país.