A OCDE divulgou esta terça-feira, dia 8 , os primeiros resultados do PISA 2025 (Volume I), o maior estudo internacional de avaliação de competências de alunos de 15 anos. O estudo mede o que os alunos sabem e conseguem fazer em ciências, leitura, matemática e resolução computacional de problemas, avaliando a sua capacidade de aplicar conhecimentos a situações do dia a dia. Participaram mais de 760 mil alunos de 91 países e economias, a maior amostra de sempre nesta avaliação.

Para Portugal, os números confirmam uma quebra acentuada. Em 2025, os alunos portugueses obtiveram 460 pontos a Matemática, 462 a Leitura e 482 a Ciências, valores próximos da média da OCDE, fixada em 463, 461 e 482 pontos, respetivamente. Face a 2022, Portugal perdeu 12 pontos a Matemática e 15 pontos a Leitura, enquanto em Ciências a descida foi de apenas três pontos.

Os alunos portugueses registaram os piores resultados de sempre na prova de Leitura, agravando uma trajetória descendente que já equivale a mais de um ano de escolaridade perdido. Os 6.945 alunos avaliados em 225 escolas portuguesas obtiveram pontuações próximas das registadas em 2006 nas três disciplinas, anulando por completo os ganhos alcançados nas duas décadas anteriores.

Na comparação internacional, e num universo de cerca de 90 países e economias, Portugal surge em 29.º lugar a Ciências, 26.º a Leitura e 30.º a Matemática. Face à edição de 2023, os alunos portugueses subiram uma posição em Ciências, mas desceram duas em Leitura e uma em Matemática.

A quebra portuguesa insere-se numa tendência mais alargada. A OCDE nota que os países com as maiores quedas em Leitura tenderam também a registar as maiores descidas em Matemática e Ciências, sublinhando, ainda assim, que este agravamento não é inevitável: há sistemas educativos a contrariar a tendência. Dentro da organização, as pontuações em Ciências subiram na Costa Rica, na República Eslovaca, na Turquia e no Reino Unido; fora da OCDE, destacam-se melhorias no Camboja, em El Salvador, na Geórgia, na Jordânia, na Mongólia, no Montenegro, nas Filipinas, na Arábia Saudita, na Tailândia, nos Emirados Árabes Unidos, no Uruguai e no Usbequistão.

No topo da tabela mantêm-se os sistemas de ensino asiáticos. A maioria das jurisdições chinesas participantes, a par da Estónia, do Japão, da Coreia do Sul, de Singapura, do Taipé Chinês e do Reino Unido, figuram entre os dez primeiros lugares nas três áreas avaliadas.

O contraste com o percurso português é histórico: até 2015, Portugal foi melhorando os seus resultados a cada edição do PISA, ao ponto de o diretor do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, apontar o país como uma das maiores histórias de sucesso educativo da Europa. Desde então, a trajetória inverteu-se, acompanhando a tendência descendente da generalidade dos países da organização.

O ciclo PISA 2025 trouxe ainda novidades metodológicas: pela primeira vez, uma Avaliação de Língua Estrangeira (FLA), centrada no inglês, e um novo domínio inovador, a Aprendizagem no Mundo Digital (LDW), que mede a capacidade dos alunos para construir e resolver problemas recorrendo a ferramentas computacionais.

A OCDE vai ainda publicar os Volumes II e III do PISA 2025, com análises mais detalhadas por país, incluindo o cruzamento dos resultados com o perfil socioeconómico dos alunos.