Luís Torres, dono do conhecido clube noturno Elefante Branco, em Lisboa, morreu esta segunda-feira, dia 5, aos 51 anos. O empresário sofria de um cancro do pulmão em estado avançado e encontrava-se em prisão preventiva, acusado num processo relacionado com uma alegada rede de exploração sexual.

Luís Torres estava internado num hospital de Lisboa desde setembro, depois de o seu estado de saúde se ter agravado. O cancro já tinha provocado metástases noutros órgãos e, meses antes, o empresário tinha sido transferido do Estabelecimento Prisional de Lisboa para o Hospital-Prisão de Caxias para receber acompanhamento médico.

O empresário era apontado pelo Ministério Público (MP) como o alegado cabecilha de uma rede ligada ao Elefante Branco. O processo teve origem na operação 'À La Carte', realizada em julho de 2025, durante a qual foram efetuadas mais de 30 buscas em bares e estabelecimentos de alojamento e detidas mais de uma dezena de pessoas.

Segundo a acusação, a alegada rede dedicava-se ao lenocínio e exploração sexual, tráfico de seres humanos e auxílio à imigração ilegal, além de crimes económico-financeiros. As autoridades sustentam que eram recrutadas mulheres estrangeiras, algumas em situação de vulnerabilidade socioeconómica. Mais de 500 mulheres terão sido exploradas entre 2019 e 2025, de acordo com a investigação.

As empresas controladas pelos arguidos terão movimentado mais de 22 milhões de euros durante aquele período. O esquema, segundo a acusação, não se limitava ao Elefante Branco: depois de os serviços serem contratados no clube, os encontros eram, alegadamente, encaminhados para outros locais controlados pela rede, incluindo a chamada 'Pensão Classe A'.

Luís Torres já não chegará a ser julgado. O processo, porém, prossegue relativamente aos restantes arguidos. Além do empresário, estavam envolvidos mais 11 suspeitos, entre pessoas e empresas, que deverão continuar a responder perante a Justiça pelos crimes que lhes são imputados.