O Ministério Público (MP) abriu um inquérito ao processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário, na sequência de uma queixa apresentada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

A Procuradoria-Geral da República confirmou à Lusa que a queixa deu origem a um inquérito que está a decorrer no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa.

A Fenprof apresentou a queixa em julho, depois de vários professores terem relatado problemas durante a correção digital das provas. Entre as falhas denunciadas estão folhas de exames que terão desaparecido e situações em que os classificadores receberam indicações para avaliar respostas que não estavam completas.

Para a federação, estas orientações podem configurar um ilícito, uma vez que terão sido dadas instruções externas aos professores para classificarem o conteúdo que lhes era disponibilizado, mesmo quando faltavam partes das respostas.

A Fenprof defende que os professores que participaram na correção não podem ser responsabilizados por falhas que não lhes são imputáveis e quer esclarecer se a plataforma funcionou corretamente e se as instruções dadas aos classificadores respeitaram a lei.

Recorde-se que este foi o primeiro ano em que os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos integralmente em formato digital. O processo ficou, contudo, marcado por vários problemas técnicos, incluindo atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das respostas e dificuldades no acesso e utilização da plataforma de classificação.