Angola está a transformar-se numa das principais portas de entrada de África para a região da Ásia-Pacífico, impulsionada pela sua posição geográfica, pelos recursos energéticos e minerais e pelo desenvolvimento do Corredor do Lobito. A análise é da revista The Diplomat, que destaca a crescente importância do país nas cadeias mundiais de abastecimento.
No centro desta transformação encontra-se o Porto do Lobito, ligado pelo Caminho de Ferro de Benguela às zonas produtoras de cobre e cobalto da República Democrática do Congo e da Zâmbia. Estes minerais são fundamentais para o fabrico de baterias, equipamentos eletrónicos e tecnologias associadas à transição energética.
Durante décadas, Angola dependeu essencialmente das exportações petrolíferas. A queda dos preços do crude, em 2014, expôs, porém, a vulnerabilidade desse modelo e acelerou a aposta na diversificação. Segundo a publicação, o país reduziu substancialmente a dívida contraída junto da China, de um máximo acumulado de 45 mil milhões de dólares para cerca de 12 mil milhões.
Ao mesmo tempo, Luanda procura desenvolver novas indústrias. A fábrica de alumínio inaugurada no Bengo produz já cerca de 240 toneladas de lingotes por dia, enquanto um investimento de dois mil milhões de dólares num complexo de amoníaco e ureia deverá permitir, a partir de 2027, fabricar aproximadamente quatro mil toneladas diárias de fertilizantes.
Vietnam, Coreia do Sul, Austrália e Hong Kong surgem como mercados com potencial para reforçar as importações angolanas. Hanói propõe-se mesmo funcionar como plataforma de entrada de Angola na ASEAN, ampliando a cooperação para além das relações bilaterais.
A publicação sublinha ainda as reformas promovidas pelo presidente João Lourenço para melhorar a transparência, fortalecer as instituições e atrair investimento privado. Apesar dos desafios, Angola reúne energia, recursos naturais e infraestruturas para ligar as matérias-primas africanas à indústria e aos mercados consumidores asiáticos, assumindo uma posição cada vez mais estratégica no comércio mundial

















