O debate de urgência sobre o custo de vida, pedido pelo PS, incendiou esta sexta-feira, dia 18, a Assembleia da República, com José Luís Carneiro, Hugo Soares e André Ventura a protagonizarem alguns dos momentos mais tensos. “Bandalheira”, “biombo”, “bancarrota” e um primeiro-ministro “à deriva” são alguns dos mimos trocados em São Bento.

José Luís Carneiro abriu as hostilidades, acusando o Governo AD de “insensibilidade” perante as dificuldades das famílias e contestando a decisão de não avançar com uma redução do IVA na energia. “Não é compreensível”, afirmou o secretário-geral socialista, defendendo medidas para travar a subida dos combustíveis.

Hugo Soares respondeu com um ataque cerrado à estratégia socialista. O líder parlamentar do PSD defendeu que o Executivo optou por baixar o IRS para “dar liberdade de escolha às pessoas” e aumentar o rendimento disponível. Depois, virou-se diretamente para Carneiro: “A sua política económica é um erro, é assistencialista, a pensar nas sondagens. A nossa é a pensar no País e nas novas gerações.” E recuperou a memória da crise financeira: “Faz isso até ser o novo José Sócrates e levar o País à bancarrota? Nós não.”

André Ventura acusou PS e PSD de serem “farinha do mesmo saco” e atacou os socialistas por não apoiarem a proposta do Chega para baixar o IVA dos combustíveis. “A história mudou? Já não interessa baixar os combustíveis?”, questionou, recordando posições assumidas por Luís Montenegro quando estava na oposição. Carneiro contra-atacou, classificando Ventura como o “biombo” do Governo.

O confronto subiu de tom quando Ventura tentou recorrer à defesa da honra. Aguiar-Branco considerou que o pedido não cumpria as regras regimentais e o líder do Chega protestou, considerando “lamentável” não lhe ser permitido defender a sua honra e a da bancada. O presidente da Assembleia respondeu de imediato: “Isto não é uma bandalheira! Tem regras.”

Mariana Leitão, da IL, também disparou contra o Governo e PS. “O primeiro-ministro está à deriva, a distribuir o dinheiro dos contribuintes sem critério nem visão”, acusou, achando insuficiente um alívio de “cinco euros por mês”. E deixou uma farpa a Carneiro: “A escola da mediocridade está viva e tem um novo discípulo.”

À esquerda, o PCP voltou a reclamar a fixação dos preços dos bens essenciais e responsabilizou também o PS por não ter adotado medidas mais profundas quando esteve no Governo.

Créditos: ARTV