Cumprem-se esta quinta-feira 100 anos sobre o 28 de Maio de 1926, o golpe militar que pôs termo à I República portuguesa e abriu caminho a quase meio século de regimes autoritários, primeiro sob a ditadura militar e depois através do Estado Novo liderado por António de Oliveira Salazar.

Iniciado em Braga sob a liderança do general Gomes da Costa, com o apoio de figuras militares como Mendes Cabeçadas e Sinel de Cordes, o movimento triunfou num país marcado pela instabilidade política, sucessivos governos, crise económica e crescente desgaste das instituições republicanas.

A queda da I República aconteceu quase sem resistência significativa. Dias depois, o Parlamento era dissolvido, os partidos suspensos e a censura começava a instalar-se, num processo que culminaria na Constituição de 1933 e na consolidação do Estado Novo.

Um século volvido, o 28 de Maio continua longe de reunir consensos históricos e políticos. Para uns, simbolizou a resposta a um regime esgotado e incapaz de governar; para outros, representou o início de uma longa noite autoritária, marcada pela limitação das liberdades e pela repressão política.