Trabalhar como freelancer tem coisas maravilhosas: permite gerir o próprio tempo, escolher os projetos, construir algo que pode chamar de seu. Mas também tem armadilhas silenciosas e o pior é que muitas delas só se revelam quando já não há tempo para corrigir. São erros compreensíveis, humanos, que qualquer pessoa pode cometer, mas que implicam uma diferença de peso para quem trabalha por conta própria, até porque as consequências desses erros costumam ser mais diretas e mais duras.
Um dos erros mais comuns é adiar a reflexão sobre proteção pessoal para “depois”. Depois de fechar aquele contrato importante, depois de pagar o equipamento novo, depois de organizar a contabilidade... Só que o “depois” nunca chega e quando surge um contratempo – uma doença, um acidente, uma paragem obrigatória – não há tempo para pensar. Nessa altura há apenas contas para pagar e um rendimento que desapareceu.
Há também quem acredite que, por trabalhar em casa ou por ter uma atividade aparentemente “sem risco”, está desde logo protegido. Um tradutor, uma arquiteta ou um programador não lidam com máquinas pesadas nem conduzem horas por dia. O risco parece pequeno. Mas uma tendinite ou uma simples recuperação de uma cirurgia pode impedir o trabalho durante semanas. E o risco, nesses casos, não está na atividade, mas sim na dependência total da própria capacidade (ou falta dela) para produzir.
Outro erro frequente é confundir bons meses de faturação com segurança financeira. Um freelancer tem um trimestre excelente, ganha bem, sente-se tranquilo, mas essa tranquilidade é frágil, principalmente se não pensarmos no que acontecerá, de forma realista, se a faturação cair a zero durante alguns meses. As poupanças até podem estar lá, mas duram quanto tempo? Um mês? Três? Seis? Muitos só fazem essa conta depois de começar a usar as poupanças – e aí descobrem que eram menos flexíveis do que tinham calculado.
Há ainda quem tenha feito uma escolha de proteção há muitos anos, quando a vida era diferente. Naquela altura, solteiro, sem filhos, sem crédito habitação tudo era bem distinto do que é hoje, quando há uma família, uma casa, despesas maiores..., mas a proteção continua a mesma de outros tempos. O erro não foi ter escolhido mal, mas sim o facto de não ter revisto a proteção feita no passado, simplesmente porque as decisões que serviam há cinco ou dez anos podem já não servir hoje.
E talvez o erro mais humano de todos: tratar a proteção pessoal como um assunto secundário, quase aborrecido, que tira tempo ao que realmente interessa – o negócio, os clientes, os projetos. Até que, de repente, essa mesma proteção pessoal torna-se o assunto principal, quase sempre quando já é tarde para resolver com calma.
A boa notícia é que estes erros são evitáveis. Não exigem horas de leitura nem conhecimentos técnicos profundos. Exigem apenas uma coisa: parar um momento, olhar para a própria vida e perguntar: se eu parasse amanhã, o que acontecia? Depois, há que pedir ajuda a quem sabe simplificar o tema, porventura um corretor da SABSEG. Junto deste último irá perceber que a pior proteção mesmo não é a fraca, mas a inexistente, porque sozinhos nunca pensámos no imprevisto e quando este aconteceu a solução passou a ser tardia, apenas porque não evitámos o erro.
















