Mais de cinco mil pessoas já assinaram uma petição que exige a demissão de Pedro Duarte, de 53 anos, da presidência da Câmara Municipal do Porto, na sequência da carga policial contra manifestantes pela habitação, na Praça D. João I. Os confrontos provocaram dezenas de feridos e geraram contestação à atuação das autoridades e à resposta da autarquia.

Os autores da iniciativa defendem que a gravidade dos acontecimentos exige consequências políticas e uma tomada de posição por parte do autarca. "Quando a confiança dos cidadãos na liderança municipal é seriamente abalada, é legítimo exigir explicações, responsabilização e consequências políticas", lê-se no documento.

A petição pede que Pedro assuma a responsabilidade política pela forma como a situação foi conduzida e pondere abandonar o cargo. Entre as exigências estão ainda um esclarecimento público sobre a atuação da Câmara do Porto, o apuramento rigoroso e independente dos acontecimentos e a responsabilização de eventuais responsáveis por ilegalidades.

Os signatários defendem também o respeito pelo direito à manifestação pacífica e exigem medidas concretas para responder à crise da habitação. Nesse sentido, apelam à abertura de um diálogo com os cidadãos, os movimentos pela habitação e as organizações da sociedade civil, com o objetivo de encontrar soluções que tornem o acesso à habitação mais acessível.

Os promotores esclarecem que a iniciativa não pretende substituir a investigação nem antecipar conclusões sobre responsabilidades individuais. "O poder político existe para servir os cidadãos, não para os intimidar ou ignorar quando levantam a voz perante as injustiças que sentem", sublinham.

Na quinta-feira, 15, Pedro Duarte justificou a atuação policial com alegadas atitudes provocatórias por parte de alguns manifestantes. A PSP, por sua vez, esclareceu que não foram acatadas as ordens para retirar as tendas instaladas no local.

O presidente da Câmara do Porto desvalorizou entretanto a existência da petição, argumentando que os cidadãos que não votaram no PSD nas últimas eleições autárquicas são em número muito superior. "Se fossem só esses, eu seria o político mais popular do universo", afirmou.

Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro (53), se pronunciou sobre os protestos do Movimento pela Habitação, apelando aos manifestantes para que não sejam "egoístas" relativamente à tranquilidade e à ordem pública. O chefe do Governo defendeu ainda que as forças policiais são, habitualmente, "extraordinariamente criteriosas e respeitadoras".