O Chega defendeu esta quarta-feira, dia 28, no Parlamento, que “a solução para a habitação é a remigração” e desafiou o Governo a afastar do país os estrangeiros que considera uma ameaça à ordem pública. A intervenção da deputada Cristina Rodrigues e a resposta do socialista José Carlos Barbosa geraram o momento de maior tensão, até agora, no debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2027, obrigando o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, a intervir mais do que uma vez.

“Enquanto continuarem a entrar imigrantes no país, nunca haverá casas suficientes. A solução para a habitação é a remigração”, afirmou a deputada do Chega. Cristina Rodrigues defendeu que a resposta deve passar pela saída de quem “não está a contribuir”, de quem entrou de forma ilegal, de quem cometa crimes em Portugal e de quem esteja a “provocar as nossas polícias” e a “destruir património público”. “A lei permite o seu afastamento, pois eu desafio o Governo a fazer cumprir a lei”, disse, responsabilizando o PS e “os seus companheiros da esquerda radical” pela crise na habitação.

O pedido de esclarecimento de José Carlos Barbosa foi recebido com ruído na bancada do Chega. “Oh, senhor Presidente, tenha calma que eu não vou chamar a polícia”, ironizou o deputado do PS. Aguiar-Branco pediu-lhe várias vezes “menos” e exigiu respeito à câmara. O socialista respondeu que respeita todos os deputados, mas não “quem pede para bater aos manifestantes que estão lá fora e aqui fazem arruaça”.

José Carlos Barbosa questionou ainda o que entende o Chega por remigração, perguntando se a deputada queria seguir o exemplo de Flávio Bolsonaro “que já remigrou para a América” ou se o colega de bancada Marcus Santos teria de “ir para o Brasil”. A afirmação de que, com a “maioria de direita”, o preço da habitação subiu 35% provocou novos protestos e nova intervenção do presidente do Parlamento.

“Este quadro que estamos aqui a ter neste momento é tudo menos prestigiante para o Parlamento”, advertiu Aguiar-Branco. Durante a intervenção do deputado socialista, a bancada do PSD ergueu um cartaz cor de laranja com a frase “PS zero casas”.

O líder parlamentar do Chega fez depois uma interpelação à mesa, condenando a “atitude de provocação” à sua bancada. Aguiar-Branco respondeu que tenta ser “um juiz equidistante”, lamentou que as provocações venham “de todos os lados” e insistiu na “autorregulação” dos deputados.