O Hospital CUF Descobertas, no Parque das Nações, em Lisboa, realizou uma cirurgia no pé errado de uma criança, de 10 anos, após um erro na transcrição da informação clínica. O caso levou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) a impor medidas corretivas à unidade hospitalar.
Segundo a deliberação divulgada, o erro terá ocorrido durante o registo clínico feito pelo médico responsável. Na consulta realizada em março de 2025, o cirurgião indicou "pé direito" no processo, quando a intervenção adicional deveria ser efetuada no esquerdo, conforme constava no consentimento informado assinado pelos pais e na proposta cirúrgica inicial.
A criança foi internada em abril para ser submetida a uma cirurgia relacionada com hallux valgus bilateral, deformidade conhecida como joanete, que afetava ambos os pés. Contudo, existia ainda uma intervenção complementar prevista apenas para o esquerdo, devido à presença de um osso saliente na parte lateral do pé.
Após a operação, os pais aperceberam-se de que esse procedimento adicional tinha sido realizado no pé direito, e não no esquerdo, onde existia efetivamente indicação clínica. A situação acabou por ser comunicada à ERS, através de uma reclamação formal.
De acordo com o regulador, o médico-cirurgião reuniu-se com os pais no dia seguinte à cirurgia para esclarecer o sucedido. Dias depois, também a administração do hospital contatou a família e acionou o seguro de responsabilidade civil da instituição, procedimento igualmente seguido pelo médico responsável pela operação.
O hospital decidiu ainda não cobrar quaisquer custos relacionados com a cirurgia nem com os tratamentos posteriores. A criança continuou a ser acompanhada em consultas de ortopedia pediátrica, com o objetivo de definir os próximos passos clínicos em articulação com os pais.
Na resposta enviada à ERS, o hospital defendeu que os procedimentos formais de verificação pré-operatória tinham sido cumpridos, considerando tratar-se de uma falha pontual na execução do sistema e não da inexistência de mecanismos de segurança.
Ainda assim, a entidade reguladora considerou essencial reforçar os procedimentos de identificação e validação antes das cirurgias, bem como o cumprimento rigoroso da Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica.
Entre as medidas impostas pela ERS estão a realização de formações regulares sobre segurança cirúrgica, com especial enfoque nas responsabilidades das equipas médicas durante os momentos críticos do ato operatório, além da implementação de auditorias internas frequentes para avaliar os mecanismos de controlo e qualidade clínica.

















