Com a educação mergulhada num profundo caos, persistem as incertezas de muitos estudantes quanto às classificações obtidas no exames nacionais e, consequentemente, a entrada no ensino superior. Francisco Gonçalves, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), aponta que o grande culpado é o ministro da Educação, Fernando Alexandre, já que sujeitou os alunos a experimentalismos. "Não se fazem experimentalismos em momentos decisivos da vida das pessoas, e, portanto, houve aqui um grande amadorismo", diz, em entrevista exclusiva ao 24Horas.
O dirigente sindical assume que os problemas não se centram apenas na digitalização das provas num único local central, mas que começaram com a chamada reforma do Estado, que levou à dispensa de mais de "dois mil trabalhadores e de muito saber acumulado".
Além disto, Francisco Gonçalves realça que o facto de a classificação ser feita por itens, ou seja, um professor classificador fazer a correção de determinadas questões e não de toda a prova, como antes acontecia, conduziu os alunos a um cenário de incertezas.
"Provavelmente, tivemos erros, porque há provas, apesar de o ministro ter dito que nenhuma prova está perdida, o que é facto é que parecem existir extravios, não sei se temporários, se definitivos. Mas o que, de facto, nos remete para erros ao nível da catalogação do arquivo das provas físicas", garantiu, assumindo que há alunos prejudicados.
Francisco Gonçalves lembra que, "em quase 30 anos que se leva de exames nacionais, nunca aconteceu nada que se parecesse com uma coisa destas", tendo havido sempre "confiança e fiabilidade no processo", o que este ano "está claramente posto em causa". A situação de caos levou, inclusive, professores a criarem grupos "para ajudarem os alunos a verificar as provas".
Relativamente aos pedidos de reapreciação de classificações, Francisco Gonçalves admite que é algo natural. No entanto, realça que o que não é normal é existirem alunos com dúvidas de que a prova classificada seja a sua: "Tivemos essa dúvida porque surgiram casos. O mais paradigmático é aquele que foi relatado em que se viam duas caligrafias diferentes na prova e numa folha de continuação."
Todo o processo de classificação já causa danos nas candidaturas ao ensino superior, com um decréscimo acentuado nas inscrições. Recorde-se que, no primeiro dia do concurso, segunda-feira, 20, apenas 304 alunos se candidataram, um número que contrasta com os mais de 10 mil que avançaram com o processo no primeiro dia de candidaturas do ano passado.
Questionado pelo 24Horas sobre a possibilidade de termos alunos que não consigam prosseguir este ano os estudos devido a todo o caos, Francisco Gonçalves confessa que "esse risco possa acontecer".
Por isso, garante que é "obrigação do Ministério da Educação não prejudicar mais aqueles que já foram prejudicados", reconhecendo que, a verificar-se esse cenário, se devem criar soluções, como vagas extraordinárias para o acesso ao ensino superior.

















