A contaminação da albufeira de As Conchas, na Galiza, alastrou através do rio Lima e atingiu a albufeira do Lindoso, que se estende pelo território português. O problema é provocado pelos resíduos provenientes de cerca de 400 explorações industriais de suínos e aves instaladas na província espanhola de Ourense.
Os dejectos lançados nos solos e linhas de água favorecem o aparecimento de cianobactérias tóxicas, sobretudo nos períodos de maior calor. A superfície da água adquire então uma intensa coloração verde e torna-se potencialmente perigosa para consumo, banhos e actividades recreativas.
Em Julho de 2025, a justiça galega concluiu que a Xunta da Galiza e a Confederação Hidrográfica do Minho-Sil violaram direitos fundamentais das populações, incluindo os direitos à vida, à propriedade, a um ambiente saudável e ao acesso a água segura. A sentença, confirmada pelo Supremo espanhol no início de 2026, determinou a adopção imediata de medidas para recuperar a bacia hidrográfica.
Um ano depois, as associações locais regressaram aos tribunais, alegando que as autoridades se limitaram a pagar indemnizações, realizar algumas inspecções e recolher amostras. Exigem agora a execução forçada da decisão, a classificação da região de A Limia como zona vulnerável à poluição por nitratos e uma moratória sobre novas explorações pecuárias.
A chegada das cianobactérias ao Lindoso transforma o problema numa questão transfronteiriça e aumenta a pressão sobre Portugal e Espanha para protegerem conjuntamente a qualidade da água do rio Lima.

















