Investigadores de Portugal desenvolveram um hidrogel que poderá contribuir para o tratamento de melanoma, o tipo mais grave de cancro da pele. Após os primeiros resultados laboratoriais, a investigação vai avançar para testes em animais.

A equipa, que integra os investigadores das Faculdades de Ciências da Universidade do Porto e do Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho, criaram um hidrogel que permite transportar e controlar a libertação de um medicamento diretamente na zona afetada pelo tumor.

O objetivo é concentrar a ação do fármaco na área a tratar, reduzindo potencialmente a exposição de outras partes do organismo ao medicamento.

COMO FUNCIONA O HIDROGEL?

O material incorpora nanocápsulas que contêm doxorrubicina, um fármaco utilizado no tratamento de vários tipos de cancro. O hidrogel funciona como um suporte que ajuda a controlar a libertação do medicamento e a mantê-lo na zona onde é aplicado.

Á temperatura ambiente, o material encontra-se no estado líquido, o que facilita a aplicação. Em contato com a pele, transforma-se rapidamente num gel, permitindo-lhe permanecer no local.

As nanocápsulas são também sensíveis ao pH. Como o ambiente de alguns tumores pode ser mais ácido do que os tecidos saudáveis, esta característica poderá favorecer a libertação do medicamento na zona afetada.

INVESTIGAÇÃO AINDA EM FASE EXPERIMENTAL

Depois de desenvolverem as nanocápsulas os investigadores combinaram-nas com um polímero para criar um material capaz de controlar a libertação do fármaco. Os primeiros testes laboratoriais revelaram resultados promissores, incluindo uma boa biocompatibilidade.  

A próxima etapa passa por avaliar o comportamento e a segurança do hidrogel em animais, antes de se considerar a possibilidade de avançar para ensaio clínicos.

Apesar dos resultados iniciais, a tecnologia continua numa fase experimental. São necessários mais estudos para determinar a sua eficácia e segurança, pelo que ainda está disponível para utilização em doentes.