O presidente da RTVE, José Pablo López, pediu desculpa publicamente a Marta Gómez Montero depois de a jornalista e colaboradora ter abandonado o plateau do programa 'Malas Lenguas Noche', da La 2, em lágrimas, na noite de sábado, dia 11, acusando o apresentador Jesús Cintora de a ter humilhado.

"Não bastam as desculpas em privado", escreveu López, na rede social X, onde garantiu estar "à inteira disposição" da jornalista. Também Cintora publicou um pedido de desculpas, reconhecendo "o mau momento" e assegurando que Gómez Montero "tem as portas do programa abertas".

O episódio ocorreu durante um debate sobre as declarações do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, acerca do absentismo laboral e do uso da expressão "país subsidiado". Marta Gómez Montero tentava defender a posição de Feijóo, sublinhando que o líder da oposição tinha acrescentado o qualificativo "fraudulento" às suas palavras sobre absentismo, mas Cintora insistiu em confrontá-la com os termos mais polémicos do discurso, incluindo a comparação do absentismo a um "cancro".

A colaboradora acabou por quebrar, em direto. "Não vou responder, Jesús, não me vais voltar a humilhar. Sinto-me absolutamente humilhada", disse, com a voz embargada. "Aguentei para pagar as faturas, aguentei pelos meus filhos, mas já não aguento mais. Prefiro comer m****"


A reação do apresentador no momento foi glacial. "Ela saberá", limitou-se a dizer, antes de a colega de mesa Esther Palomera tentar repor alguma normalidade, reconhecendo que a situação tinha deixado todos "com muito mau corpo".

O caso dominou as redes sociais ao longo de todo o domingo. A presidente da Associação de Imprensa de Madrid, María Rey, apelou repetidamente ao respeito e à empatia, pedindo que o momento não fosse reduzido a uma "batalha ideológica": "Quem qualificar o que aconteceu como vitimismo premeditado, ou não tem alma ou nunca sofreu uma crise de ansiedade."

Do lado político, Isabel Díaz Ayuso aproveitou o episódio para atacar o governo de Pedro Sánchez, acusando-o de "levar Espanha inteira ao desquício". Na trincheira oposta, houve quem classificasse o momento como "um espetáculo orquestrado" pela própria Gómez Montero.

O sindicato USO já se pronunciou, recordando que, em outubro de 2025, tinha alertado para "determinadas formas de atuação" no 'Malas Lenguas', incompatíveis com os princípios da televisão pública, e exigindo que a RTVE aplique o protocolo de prevenção e atuação contra o assédio. Marta Gómez Montero foi, até ao momento, a única protagonista do episódio que optou por não se pronunciar publicamente.


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