O Ministério Público decidiu arquivar o processo Monte Branco, uma das mais mediáticas investigações financeiras da história recente da justiça portuguesa, conduzida por uma equipa coordenada por Rosário Teixeira e da qual fazia parte o inspetor tributário Paulo Silva, encerrando um dossiê que se arrastava há cerca de 15 anos.

A decisão põe fim a um caso que envolveu suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais, associação criminosa e outros crimes económico-financeiros, tendo passado por várias fases de investigação e inúmeros desenvolvimentos judiciais. ⁠

Iniciado em 2011, o processo Monte Branco foi apresentado pelas autoridades como uma das maiores investigações de sempre a alegadas redes de evasão fiscal e circulação de capitais através de estruturas financeiras internacionais.

Ao longo dos anos, o caso cruzou-se com outras investigações de grande dimensão, incluindo processos relacionados com o antigo Grupo Espírito Santo e algumas das suas principais figuras.⁠

O arquivamento surge após uma longa tramitação processual e sucessivas diligências de investigação que não permitiram sustentar a continuação do processo nos moldes inicialmente previstos.

A decisão deverá reacender o debate sobre a morosidade da justiça portuguesa, sobretudo em processos de elevada complexidade económica e financeira. Quinze anos depois do arranque das investigações, o desfecho evidencia as dificuldades enfrentadas pelas autoridades na recolha de prova e na conclusão de processos que envolvem múltiplas jurisdições, operações financeiras internacionais e dezenas de intervenientes.