A redução da idade da reforma continua a ser uma das principais exigências do Chega nas negociações com o Governo sobre a revisão da legislação laboral. André Ventura, de 43 anos, afirmou que o tema é uma prioridade para o partido e defendeu um regresso aos 65 anos de idade para a reforma ou aos 40 anos de descontos.

"É um elemento central para nós", frisou o líder do Chega, em entrevista à SIC Notícias. "Disse ao primeiro-ministro que acho que temos de mostrar às pessoas que queremos melhorar a vida delas". Para Ventura, o objetivo passa por inverter a atual tendência e garantir melhores condições aos trabalhadores: "É necessário começar a fazer a trajetória de evitar trabalhar até morrer e com cada vez menos direitos."

Apesar das conversações com Luís Montenegro, o presidente do Chega admitiu que ainda não existe entendimento entre as duas partes sobre esta matéria. "Não houve consenso porque há posições que são diferentes, e que são legítimas. PSD tem uma posição diferente da do Chega e isso é legítimo. Nós temos de começar a inverter a pirâmide, começar a fazer o caminho de não se trabalhar até morrer e ter pensões baixas", acrescentou.

Questionado sobre uma eventual reforma da Segurança Social, Ventura foi mais longe e garantiu que o Chega está disponível para liderar esse processo. "Até admito mais. Admito que seria o Chega a propor uma reforma da Segurança Social". Entre as medidas defendidas pelo partido está também a limitação das chamadas pensões milionárias. "Num País em que muitos recebem 500 euros, 600 euros ou 700 euros, haver pessoas que ganham 10.000 euros tendo trabalhado dez anos, é uma injustiça e uma imoralidade", atirou.

Na terça-feira, dia 16, após uma reunião com o primeiro-ministro, André Ventura revelou que as negociações terminaram sem acordo. "Até ao momento não foi possível chegar a um entendimento", afirmou, acrescentando que as duas partes iriam continuar a trabalhar "toda a noite, todo o dia, para procurar chegar a uma solução" e "perceber se é possível haver este entendimento ou não".

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder do Chega voltou a criticar a proposta de revisão do Código do Trabalho apresentada pelo Governo. "Não é uma questão de vamos deixar ver como é que corre depois, há questões de fundo que têm que ser alteradas e que o Chega não pode, em consciência com o que disse e com a vida das pessoas e com a vida dos trabalhadores e com a vida dos empresários, não pode, em consciência, permitir ou viabilizar", salientou.

A proposta do Executivo será discutida esta quinta-feira, dia 18, no Parlamento, numa altura em que a sua aprovação continua sem estar garantida.