Álvaro Pires vai deixar o cargo de diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ), numa altura em que a instituição está envolvida numa polémica relacionada com adjudicações de obras e alegadas ligações entre responsáveis policiais e um empresário da construção civil. A decisão de não renovar a comissão de serviço foi tomada pela Direção Nacional da PJ, liderada por Carlos Cabreiro.

Em comunicado, a PJ confirmou que não propôs à tutela a renovação das comissões de serviço dos diretores de Gestão Financeira e Patrimonial e de Inovação e Desenvolvimento.

"Tive conhecimento, mas não me foram transmitidos os motivos. Disseram que não era oportuna a renovação da comissão de serviço", disse Álvaro Pires ao Observador. A RTP adianta, entretanto, que o próprio terá pedido para não continuar no cargo.

Segundo a estação pública, Álvaro Pires terá fornecido informações incorretas sobre os custos da destruição de material apreendido na 'Operação Pacoba', posteriormente transmitidas à ministra da Justiça.

O afastamento surge também após notícias sobre obras realizadas em casa de Álvaro Pires por João Santos Carvalho, proprietário da ConstruBarcelos, empresa que recebeu 17 adjudicações da PJ, entre 2019 e 2024, num valor aproximado de 2,3 milhões de euros.

O mesmo empresário realizou obras numa propriedade de Luís Neves, atual ministro da Administração Interna e antigo diretor nacional da PJ.

Álvaro Pires terá ainda sugerido que um atrelado apreendido na 'Operação Pacoba' ficasse à guarda da ConstruBarcelos. As circunstâncias destes negócios estão no centro da controvérsia que envolve a instituição.