O Ministério Público (MP) está esta quarta-feira, dia 23, a realizar buscas nas instalações da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de uma investigação relacionada com alegadas escutas ilegais no caso Football Leaks e com uma denúncia apresentada contra o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro (60).
As diligências decorrem na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAT), que funciona nas instalações da Escola da PJ, no Barro. Segundo o Expresso, citado pela imprensa nacional, os procuradores procuram registos que possam comprovar a realização de uma alegada escuta ilegal ao advogado Aníbal Pinto, durante um encontro com representantes da Doyen, em 2015.
Na origem da investigação está uma denúncia apresentada pelo coordenador da PJ David Freitas. O responsável acusa Carlos Cabreiro de ter prestado falsas declarações em tribunal e de ter ordenado uma escuta que, segundo a denúncia, tinha sido anteriormente proibida pelo Ministério Público (MP). As suspeitas estão sob investigação.
David Freitas afirma ter encontrado nos arquivos da UPAT uma ordem de missão pedida por Carlos Cabreiro, que na altura dirigia a unidade de combate ao cibercrime, e um relatório sobre a operação assinado por quatro inspetores. Estes documentos poderão ajudar a esclarecer se a conversa entre Aníbal Pinto e representantes da Doyen foi efetivamente gravada.
O caso está relacionado com uma operação realizada a 21 de outubro de 2015, numa estação de serviço da A5, em Oeiras, durante a investigação que acabaria por levar a Rui Pinto e ao Football Leaks. Existem versões diferentes sobre o que aconteceu naquele dia e sobre a existência de uma escuta ambiental.
O MP abriu um inquérito que envolve Carlos Cabreiro e outros responsáveis da PJ. O processo está no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

















