Há 25 anos, quase seis em cada dez escolas com as melhores médias nos exames nacionais do secundário eram públicas. Hoje são menos de uma em cada dez. Os rankings divulgados esta sexta-feira pela Católica Porto School of Business and Economics mostram que, entre as 50 escolas com médias mais altas em 2025, apenas quatro pertencem ao Estado, contra 29 em 2001.
A distância é maior a Matemática A. Os alunos das escolas públicas tiveram, em média, 10,78 valores, pouco acima da negativa, enquanto os dos colégios privados chegaram aos 13,78. Três valores separam os dois sistemas na disciplina mais decisiva para o acesso a muitos cursos superiores.
O retrato muda quando se mede o que cada escola acrescenta aos alunos, tendo em conta a escolaridade dos pais e a proporção de famílias com apoios sociais. No Ranking de Superação, 38 das 50 primeiras escolas são públicas, muitas delas no interior e em meios desfavorecidos. A Secundária de Vouzela, onde cerca de 30% dos alunos recebem Ação Social Escolar, lidera a lista. Anadia e Monção também surgem entre as cinco primeiras.
A região de Lisboa é o caso que mais se destaca. Está quase ausente do topo e domina o fundo. O distrito, com quase um quarto da população do país, tem apenas oito escolas no top 100 da superação, e só uma é pública. Na lista das dez escolas públicas com piores médias, oito ficam nos distritos de Lisboa e Setúbal.
Na mesma região juntam-se vários fatores. As escolas da capital atribuem, em todas as disciplinas, notas internas mais baixas do que os exames fariam prever, o que pode prejudicar os alunos no acesso ao ensino superior. No Porto passa-se o inverso.
















