Criado para facilitar o acesso a consultas gratuitas de psicologia, o Cheque-Psicólogo está a deixar jovens à espera durante meses para iniciar ou retomar o acompanhamento. O problema está relacionado com atrasos na emissão dos cheques e pagamentos a profissionais, numa medida que abrange pessoas dos 12 aos 35 anos.

A situação foi denunciada por um grupo de psicólogos aderentes ao programa, que alertou para as dificuldades na operacionalização da iniciativa. Segundo os profissionais, há jovens que realizaram as primeiras consultas e aguardam desde agosto para continuar o acompanhamento, enquanto outros ainda não conseguiram sequer começar.

A denúncia, divulgada a 22 de outubro, foi subscrita por 493 psicólogos. Uma das profissionais, Rosana Milhomens, afirmou à agência Lusa que ainda não tinha recebido qualquer pagamento pelas consultas realizadas desde julho, apesar de o prazo previsto para o processamento ser de 90 dias.

A psicóloga explicou também que chegou a realizar cerca de dez consultas sem que os respetivos cheques tivessem sido emitidos, para evitar que os jovens ficassem mais de 30 dias sem acompanhamento.

Os profissionais alertam que estas falhas administrativas podem comprometer a continuidade do apoio psicológico, interrompendo o trabalho desenvolvido nas consultas e dificultando a evolução dos jovens acompanhados. Pedem, por isso, orientações mais claras, maior rapidez na emissão dos cheques e prazos de pagamento mais previsíveis.

O Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), responsável pela gestão da medida, terá reconhecido dificuldades na emissão dos cheques destinados à continuação dos acompanhamentos. Segundo os psicólogos, não foi, contudo, indicado um prazo concreto para resolver a situação.

Entretanto, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto afirmou que não existem consultas por pagar que ultrapassem o prazo de 90 dias definido para os pagamentos. Segundo o Ministério, as situações denunciadas estarão relacionadas com consultas realizadas sem emissão prévia do cheque, que não serão pagas. A tutela acrescentou que os atrasos na emissão deverão ser ultrapassados após a conclusão de processos de automatização da plataforma.

A nova edição dos Cheques Cuida-te Psicologia foi lançada em julho de 2026 e trouxe alterações ao programa. A medida deixou de estar limitada a estudantes do ensino superior e passou a abranger jovens entre os 12 e os 35 anos, inclusive. O valor pago aos profissionais por consulta aumentou de 35 para 40 euros e deixou de existir um limite máximo de cheques por beneficiário, ficando a continuidade do acompanhamento dependente da avaliação clínica.

Os pedidos são feitos através da plataforma gov.pt e, no caso dos menores de idade, é necessária autorização dos representantes legais.

O programa integra o Cuida-te, uma iniciativa do IPDJ destinada a promover a saúde e o bem-estar dos jovens. Os cheques pretendem facilitar o acesso a apoio psicológico de primeira linha, mas não substituem cuidados clínicos especializados que exijam uma intervenção mais aprofundada.