A ‘acampada’ de Lisboa reafirmou que não sai do Rossio. A posição surge depois de a Câmara Municipal de Lisboa, liderada por Carlos Moedas, ter proposto que o protesto pela habitação seja deslocado durante o Mercado de Natal, com arranque previsto para 13 de novembro.

A proposta foi enviada ontem, dia 5, a Renata Cambra, a manifestante que obteve autorização do Tribunal Administrativo de Lisboa para pernoitar no Rossio com uma tenda. A autarquia aceita que a ativista mantenha uma tenda simbólica na praça. Em troca, quer que os protestos passem para o Largo de São Domingos, o Martim Moniz ou os Restauradores. O gabinete de Moedas apresentou a solução como “mais uma solução de compromisso”. Defendeu ainda que a proposta cumpre a sentença, que obriga Renata Cambra a compatibilizar a manifestação com outros interesses públicos e com os compromissos assumidos com os comerciantes.

Renata Cambra não aceitou nem recusou a proposta e remeteu a decisão para a ‘assembleia popular’ da ‘acampada’. Deixou, ainda assim, críticas: na leitura da ativista, a Câmara “começou pelo fim”. Segundo a sentença, a deslocação do protesto só deveria ser adotada se a convivência das duas iniciativas no Rossio se revelasse impossível. Cambra lembrou também que a proposta surge depois de três cargas policiais sobre os manifestantes, com dezenas de feridos e detidos.

A acampada já tinha pedido à Câmara que fosse o mercado de Natal, e não o protesto, a mudar de lugar. Ontem, dia 5, no Now, Carlos Moedas, sublinhou que o que está em causa neste impasse é o cumprimento da lei: “Nenhum lisboeta está acima da lei, somos todos iguais”, disse.

A decisão judicial permite a Renata Cambra ficar no Rossio de madrugada até 24 de novembro, dia da votação final do Orçamento do Estado. A autorização vale apenas para ela, não para os restantes manifestantes. O Ministério Público recorreu, mas a advogada da ativista garante que o recurso não suspende a decisão.

Créditos: NOW