O ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas D'Abreu, voltou esta segunda-feira a destacar a importância estratégica do projeto da Barra do Dande, revelando que o futuro Terminal Portuário da Zona Franca de Desenvolvimento Integrado deverá ter capacidade para movimentar cerca de 20 milhões de toneladas de carga por ano.
Numa publicação nas redes sociais, o governante adianta que a implementação do terminal representa um investimento superior a 400 milhões de dólares, destinado a reforçar a capacidade logística de Angola, apoiar a atividade industrial e ampliar as ligações comerciais do país. “Mais do que construir um porto, estamos a criar condições para que a infraestrutura logística esteja cada vez mais ligada à produção, ao comércio e à criação de emprego qualificado”, escreveu Ricardo Viegas D'Abreu.
Nas declarações que acompanham a publicação, o ministro acrescenta que o terminal deverá estar preparado para receber navios entre 65 mil e 80 mil toneladas e terá uma dupla função: permitir o escoamento dos produtos fabricados na Zona Franca da Barra do Dande e facilitar a importação de matérias-primas e equipamentos necessários à transformação industrial em Angola.
O governante angolano sublinha ainda uma característica particularmente relevante do investimento: segundo o ministro, trata-se do primeiro projeto ‘greenfield’ do sector dos transportes em Angola totalmente financiado por privados, considerando-o uma demonstração da confiança dos investidores no potencial económico do país.
O terminal surge numa altura em que a Barra do Dande começa a assumir uma dimensão crescente na estratégia de diversificação da economia angolana. Em Julho foram assinados protocolos entre a Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, a Huatong Angola Industry e a Berkshire Waterhouse Infrastructure Development para a subconcessão e construção do terminal e respetivas infraestruturas. O conjunto dos investimentos então anunciado ascendia a cerca de 900 milhões de dólares, dos quais aproximadamente 450 milhões associados diretamente ao terminal portuário.
A aposta portuária junta-se à vertente industrial já em desenvolvimento. Em Janeiro, o Presidente João Lourenço inaugurou na Zona Franca a primeira fase da fábrica de alumínio eletrolítico da Huatong, um investimento de 250 milhões de dólares, com capacidade para produzir 120 mil toneladas por ano e que criou cerca de mil postos de trabalho.
Com indústria, logística e acesso direto ao mar concentrados no mesmo território, a ambição do Governo passa por transformar a Barra do Dande num dos grandes ‘hubs’ industriais e logísticos da África Austral, capaz de servir não apenas o mercado angolano, mas também de funcionar como plataforma de exportação.

















