A greve geral convocada pela CGTP para esta quarta-feira, dia 3, promete ter impacto em vários setores de atividade, com sindicatos da função pública, saúde, ensino, transportes, aviação, comércio, indústria e comunicação social a confirmarem a adesão à paralisação.
A central sindical pretende mobilizar os trabalhadores contra o pacote laboral em discussão, defendendo a valorização dos salários, o reforço dos serviços públicos e a proteção dos direitos laborais. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, apelou a uma "luta em convergência" para travar medidas que considera prejudiciais para os trabalhadores.
Na Administração Pública, a adesão deverá ser significativa. A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública voltou a exigir aumentos salariais intercalares ainda este ano e apelou à participação dos funcionários públicos na greve. Segundo o coordenador da estrutura, Sebastião Santana, a paralisação pretende "combater o pacote laboral", defender melhores serviços públicos e reivindicar aumentos salariais.
Também os trabalhadores das autarquias e do setor empresarial local vão juntar-se ao protesto, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), o que poderá afetar o funcionamento de diversos serviços municipais.
Na área da saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de emergência pré-hospitalar e profissionais dos hospitais e clínicas privadas anunciaram igualmente a adesão. O Sindicato dos Médicos do Norte justificou a participação com o agravamento das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde, sublinhando que "a situação não só não melhorou" como continua a deteriorar-se.
No setor da educação, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) confirmou a participação dos docentes na greve, associando a contestação à revisão da carreira docente e ao pacote laboral. Também o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) entregou pré-aviso de greve para docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos e centros de investigação.
Os transportes públicos deverão ser um dos setores mais afetados. Trabalhadores da CP, incluindo revisores e maquinistas, apresentaram pré-avisos de greve. A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) indicou ainda que diversas empresas de transporte urbano, de norte a sul do país, estarão mobilizadas para a paralisação.
Na área da aviação, os trabalhadores representados pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) aprovaram a adesão ao protesto. Já o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) anunciou que não participará na greve.
A contestação estende-se também a outros setores económicos. Trabalhadores da construção civil, comércio, telecomunicações, arquitetura, hotelaria, turismo, agricultura, alimentação e indústria automóvel já manifestaram apoio à paralisação.
No caso da Autoeuropa, os trabalhadores do parque industrial aprovaram igualmente a participação na greve geral. Já a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo (FESAHT) considera que as alterações laborais propostas representam "um ataque abrangente e retrógrado" aos direitos dos trabalhadores.
Também na comunicação social são esperados impactos. O Sindicato dos Jornalistas apelou à adesão dos profissionais do setor, defendendo que é necessário dizer "não a um pacote laboral com ideias do século XIX".
A greve geral deverá, assim, provocar perturbações significativas em diversos serviços públicos e privados, num dos maiores protestos laborais dos últimos anos em Portugal.

















