Até há poucos anos, o nome de Vítor Vitorino era praticamente desconhecido do grande público. Nos círculos da arquitetura, porém, era já considerado um dos profissionais mais talentosos e requisitados na conceção de habitações de luxo. A notoriedade internacional chegou quando Cristiano Ronaldo o escolheu para desenhar aquela que viria a tornar-se a casa da sua vida: a impressionante moradia da Quinta da Marinha, em Cascais, hoje apontada como uma das residências privadas mais exclusivas e valiosas alguma vez construídas em Portugal.
Natural de Vila do Conde, Vítor Vitorino lidera o atelier VVARQ e construiu uma carreira baseada na discrição, na exigência técnica e numa arquitetura contemporânea de linhas depuradas. O reconhecimento não surgiu por acaso. Há cerca de três anos, quando a construção da casa de CR7 ainda dava os primeiros passos, o arquiteto era já descrito como uma verdadeira estrela em ascensão, acumulando centenas de projetos espalhados por vários países e uma carteira de clientes composta por empresários, futebolistas, cantores e investidores de diversas nacionalidades.
A ligação entre Vítor Vitorino e Cristiano Ronaldo começou em 2019. Depois de adquirir o terreno junto ao golfe de Oitavos, na Quinta da Marinha, o capitão da Seleção Nacional reuniu-se com vários dos mais prestigiados arquitetos portugueses. Entre nomes consagrados do setor, acabou por escolher Vitorino, então praticamente desconhecido do grande público. Segundo foi revelado na época, Ronaldo terá ficado particularmente impressionado depois de visitar uma residência no Estoril desenhada pelo arquiteto, experiência que o levou a incluí-lo na restrita lista de candidatos ao projeto. Dias depois, uma simples mensagem de telemóvel comunicava-lhe que era o escolhido.

Antes mesmo de avançar para o projeto de Cascais, Cristiano Ronaldo entregou-lhe duas missões de elevada responsabilidade: a remodelação da residência que possuía em Turim, durante a passagem pela Juventus, e a renovação do apartamento de luxo da Rua Castilho, em Lisboa, a residência do capitão da nossa seleção que esteve nas bocas do mundo pela construção de uma estrutura de vidro suposta não licenciada. O sucesso desses trabalhos consolidou uma relação de confiança que viria a culminar na construção daquela que é considerada a mais mediática obra da carreira do arquiteto.
Quem conhece Vítor Vitorino descreve-o como um perfeccionista incansável. Divide o tempo entre Vila do Conde e Cascais, onde assinou mais de quatro dezenas de moradias de elevado padrão, acompanhando pessoalmente cada obra e mantendo um contacto permanente com clientes e empreiteiros. A sua filosofia passa por desenvolver os projetos em estreita articulação com quem os encomenda, afinando soluções ao longo da construção e procurando continuamente novos materiais e tecnologias. Essa abordagem, aliada a um estilo simultaneamente sóbrio e ousado, tornou-se a sua imagem de marca.

Concluída este ano, após mais de três anos de trabalhos, a mansão da Quinta da Marinha representa o ponto mais alto da carreira de Vítor Vitorino. Avaliada em dezenas de milhões de euros, a propriedade dispõe de oito quartos, piscina infinita com fundo em vidro, ginásio, cinema privado, campo de ténis e uma garagem com capacidade para cerca de vinte automóveis. O próprio arquiteto já admitiu tratar-se do projeto mais mediático da sua vida profissional, aquele que lhe abriu definitivamente as portas do mercado internacional e consolidou o seu estatuto como uma das principais referências portuguesas na arquitetura residencial de luxo.

















