Mais de 1,3 milhões de utentes continuam à espera da atribuição de um médico de família em Portugal, apesar da atualização e reorganização do Registo Nacional de Utentes (RNU).
Os dados mais recentes, referentes a 24 de agosto, indicam que existem 10.769.099 pessoas inscritas nos cuidados de saúde primários, das quais 10.599.255 reúnem atualmente as condições necessárias para terem médico de família. Destas, 1.364.561 permanecem sem clínico atribuído, o que deixa a taxa nacional de cobertura nos 87%.
As diferenças regionais continuam, porém, muito acentuadas. O Norte apresenta uma cobertura de 98%, seguido do Centro, com 95%. A situação agrava-se no Alentejo, onde a taxa desce para 83%, e no Algarve, com 80%. Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região mais problemática, com apenas 74% dos utentes abrangidos por médico de família.
Os novos números resultam da revisão do Registo Nacional de Utentes, que alterou o universo considerado elegível para atribuição de médico. Há ainda cerca de 170 mil pessoas inscritas nos centros de saúde que não reúnem atualmente essas condições, sobretudo cidadãos sem título de residência.
A falta de médicos de família permanece, ainda assim, um dos principais problemas dos cuidados de saúde primários. No final de 2025, 1,56 milhões de utentes estavam sem médico atribuído, mais 41 mil do que no ano anterior, segundo o Conselho das Finanças Públicas. Lisboa e Vale do Tejo concentrava então cerca de 70% dos casos.
















