António José Seguro, de 64 anos, defendeu esta quarta-feira, dia 17, que tanto Portugal como Espanha e Itália "não têm de aceitar um lugar periférico" no novo mundo da Inteligência Artificial (IA), "uma das transformações mais profundas no trabalho desde a revolução industrial".

A opinião foi expressa no seu primeiro discurso como chefe de Estado durante o simpósio da organização empresarial COTEC Europa, realizado este ano na ilha de San Giorgio Maggiore, em Veneza, Itália. O Presidente da República afirmou que "o mundo está a assistir a uma disputa entre dois modelos de IA: o modelo americano, orientado pelo mercado, e o modelo chinês, centrado no controlo estatal": "A Europa segue um terceiro caminho, focado no desenvolvimento e sustentado pelos direitos e pela democracia."

De acordo com o novo inquilino de Belém, "Portugal, Espanha e Itália conhecem bem o valor da abertura ao mundo", sendo "países atlânticos e mediterrânicos, países de circulação, de comércio, de cultura, de ciência e de indústria", que devem reivindicar então o seu espaço na transformação em curso.

"Não temos de aceitar um lugar periférico na próxima revolução tecnológica. Temos universidades, engenheiros, empresas, energia renovável, conectividade, capacidade industrial e uma relação histórica com geografias que contam cada vez mais no xadrez mundial. O que nos falta muitas vezes é a escala e a coordenação", disse.

O novo mundo da Inteligência Artificial (IA) representa a transição definitiva de uma tecnologia experimental para uma realidade ontologicamente disruptiva que reconfigura a economia, a geopolítica e o quotidiano global.