António José Seguro, de 64 anos, defendeu que o apoio privado à cultura deve ser encarado como uma responsabilidade social e moral, sublinhando a importância dos mecenas na preservação do património e no desenvolvimento das artes.
“É fundamental que a cooperação de entidades privadas num projeto desta natureza seja visto como um dever, uma obrigação moral, um imperativo da nossa vida em sociedade”, afirmou o chefe de Estado.
O Presidente da República destacou que o contributo de particulares e empresas permitiu, ao longo da história, criar museus, bibliotecas, escolas e fundações, defendendo que a Casa da Arquitetura pode beneficiar dessa tradição.
Considerou ainda que a preservação do espólio de Eduardo Souto de Moura exige novos apoios financeiros. “É um projeto que exige novos mecenas, que se juntarão, certamente, para cumprir este ciclo”, afirmou.
A cerimónia ficou marcada pela formalização da doação definitiva do acervo do arquiteto, distinguido com o Prémio Pritzker em 2011, à Casa da Arquitetura, em Matosinhos. O conjunto documental estava depositado na instituição desde 2019 e abrange mais de quatro décadas de atividade, entre 1980 e 2026.
O espólio reúne documentação relativa a mais de 900 projetos e inclui cerca de 8.500 peças desenhadas, 22 mil fotografias analógicas, 975 maquetes, 188 cadernos e centenas de outros documentos.
A coleção permite acompanhar o processo criativo de Souto de Moura, desde os primeiros esboços até aos desenhos técnicos e registos fotográficos das obras. Com a doação, o acervo passa a integrar definitivamente a Casa da Arquitetura, reforçando o património documental disponível para preservação e estudo.

















