O Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) considera insuficiente o financiamento previsto para a Cultura na proposta de Orçamento do Estado para 2027. A estrutura sindical lamenta que o documento continue sem cumprir a antiga reivindicação de atribuir 1% do Orçamento a este setor.

O coordenador do sindicato, João Queiroz, afirmou à agência Lusa que a verba prevista fica aquém dessa meta, mantendo-se um problema de subfinanciamento que afeta tanto as estruturas artísticas como os profissionais e o acesso do público à cultura, num contexto em que os espectadores também têm vindo a perder poder de compra.

A proposta apresentada pelo Governo prevê uma despesa total consolidada de 541,7 milhões de euros para a área da Cultura em 2027. Sem contabilizar o efeito do Plano de Recuperação e Resiliência nas receitas, o montante baixa para 528,7 milhões, mais 23,4% do que a estimativa para 2026. Já a despesa efetiva deverá atingir 518,2 milhões de euros, um aumento de 38% face ao valor estimado para este ano.

Apesar do reforço previsto, o Cena-STE alerta para as dificuldades sentidas pelo setor. João Queiroz destacou o caso de dezenas de estruturas artísticas que, apesar de terem sido consideradas elegíveis, ficaram sem apoio da Direção-Geral das Artes (DGArtes) por falta de verba. Algumas entidades tiveram ainda de rever os orçamentos apresentados a concurso para acomodar a subida dos custos, sem que isso lhes garantisse acesso ao financiamento.

Os atrasos na abertura dos concursos da DGArtes e a insuficiência dos apoios têm sido alvo de críticas recorrentes por parte das organizações representativas da Cultura.