A Carris esclareceu que o atraso no pagamento de parte das indemnizações às vítimas do descarrilamento do Elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro de 2025, em Lisboa, está relacionado com a falta de certidões de óbito por parte de algumas famílias das vítimas mortais.
Segundo a empresa municipal de transportes, foram os próprios familiares que comunicaram essa situação, levando a Carris a prestar apoio junto da Procuradoria-Geral da República para agilizar a obtenção da documentação necessária.
Em comunicado, a transportadora revelou que existem, até ao momento, três processos de indemnização concluídos. Permanecem, contudo, por liquidar 37 indemnizações, relativas quer a pessoas que ficaram feridas no acidente, quer às famílias das vítimas mortais. A Carris sublinha que todo o processo de compensação está a ser formalmente conduzido pela seguradora Fidelidade.
O esclarecimento surge depois de, na última reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa, o vereador socialista Pedro Anastácio ter questionado o ponto de situação das autópsias às vítimas. O autarca afirmou que, numa reunião realizada em junho entre a administração da Carris e vereadores do executivo municipal, foi transmitida a informação de que alguns exames médico-legais continuavam por concluir, alegadamente por responsabilidade do Ministério Público.
Entretanto, o Ministério da Justiça veio desmentir essa informação. Em resposta, garantiu que "não existem quaisquer autópsias por realizar", precisando que os exames foram efetuados nas 24 horas seguintes ao acidente e que todos os respetivos relatórios se encontram concluídos.
Segundo o Ministério, foram realizadas 16 autópsias, correspondentes às 16 vítimas mortais do descarrilamento do Elevador da Glória, um dos acidentes mais graves da história recente dos transportes públicos em Lisboa.
Perante o esclarecimento da tutela da Justiça, a Carris reiterou que o entrave identificado não dizia respeito à realização das autópsias, mas, sim, à obtenção das certidões de óbito por parte de algumas famílias, documento indispensável para a instrução dos processos indemnizatórios.
O acidente, que ocorreu em setembro de 2025, provocou 16 mortos e dezenas de feridos, dando origem a vários processos de indemnização que continuam a decorrer sob responsabilidade da seguradora Fidelidade.
















