Nuno Melo recusou ontem esclarecer quem realizou o estudo de opinião que, segundo afirmou na ‘rentrée’ política do CDS que teve lugar na semana passada em Albergaria-a-Velha, daria ao partido condições para eleger sete ou oito deputados caso concorresse sozinho às legislativas.

No final da audição na Comissão Parlamentar de Defesa, onde foi explicar aos deputados o negócio da compra de três fragatas para a Marinha, o repórter do 24Horas questionou-o sobre quem teria sido a entidade responsável pelo suposto estudo que, refira-se, não está registado, tal como obriga a lei, na ERC.

Em vez de esclarecer essa simples questão, o ministro da Defesa e líder do partido hesitou, e visivelmente atrapalhado, virou as costas e abandonou rapidamente o local, escapando assim a atribuir a ‘paternidade’ a um alegado estudo de opinião que, segundo ele, apontava para um resultado capaz de quadruplicar a votação obtida pelo partido nas legislativas de 2022.

Nessas eleições, o CDS, liderado por Francisco Rodrigues Santos, ficou-se pelos 1,6 por cento e perdeu toda a representação parlamentar, pelo que quadruplicar esse resultado significaria chegar a cerca de 6,4 por cento.

Há ainda outro problema: Nuno Melo não quis revelar quem encomendou o estudo, quem o realizou, quando foi feito o trabalho de campo e qual a dimensão da amostra ou a margem de erro, sendo que o 24Horas não encontrou, entre as sondagens nacionais recentemente divulgadas e que estão registadas na ERC, qualquer estudo que apresente separadamente as intenções de voto no PSD e no CDS – todos os estudos conhecidos medem a Aliança Democrática como um todo.

As declarações de Nuno Melo já provocaram críticas no PSD. Fontes sociais-democratas ouvidas pelo 24Horas questionaram a oportunidade de o líder centrista sugerir que o CDS poderia, sozinho, regressar ao Parlamento com sete ou oito deputados, considerando as suas declarações como “disparatadas” e “irresponsáveis”.