O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, referiu-se esta terça-feira ao 24Horas como "aquela coisa escrita". Fê-lo numa audição da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República sobre o processo de aquisição de fragatas.

A Direção Editorial do 24Horas repudia a expressão. Não é uma questão de suscetibilidade. O escrutínio e a crítica fazem parte do trabalho jornalístico, e o 24Horas aceita-os como aceita o contraditório. Repudia-a pelo lugar onde foi dita e por quem a disse.

A Assembleia da República é um órgão de soberania. Um membro do Governo que ali presta contas aos representantes eleitos fala em nome do Estado, não em nome próprio. Nesse contexto, chamar "aquela coisa escrita" a um órgão de comunicação social registado, dirigido por jornalistas e sujeito à supervisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social não é discordar de uma notícia. É desvalorizar a própria função da imprensa numa democracia.

A liberdade de imprensa está consagrada no artigo 38.º da Constituição da República Portuguesa. Não depende da simpatia de quem governa, nem de os visados concordarem com o que se publica. Quem discorda de uma notícia tem ao seu dispor o direito de resposta e os tribunais. O ministro já usou o primeiro e anunciou que vai recorrer aos segundos. Aguardamos. Até lá não precisa, nem deve, recorrer ao desdém, que embate no edifício da Liberdade de Imprensa e acaba por cair em cima de quem o arremessa.

O 24Horas continuará a fazer o que sempre fez: Jornalismo com rigor, independência e respeito pelos visados, incluindo os que não retribuem esse respeito.

A Direção Editorial