Luís Filipe Menezes, de 72 anos, acusa Nuno Melo (60) de faltar à verdade e de bloquear um projeto habitacional que prevê a construção de cerca de 3 mil casas em Vila Nova de Gaia.

Em causa está a cedência de um terreno pertencente ao Ministério da Defesa, que a autarquia pretende utilizar para responder à crise da habitação, com recurso a fundos europeus.

Em entrevista à SIC Notícias, no programa 'Edição da Noite', o presidente da Câmara de Gaia responsabilizou o ministro da Defesa pelo impasse e desmentiu ter sido convocado para uma reunião com o governante, contrariando a versão apresentada pelo Ministério.

Menezes garantiu que nunca recebeu qualquer convocatória para o encontro que, segundo a tutela, estaria previsto para o dia anterior. O autarca acusa, por isso, o centrista de mentir sobre os contactos entre ambos e de impedir o avanço de uma iniciativa que considera fundamental para o concelho.

“É completamente falso que eu tenha sido convocado para uma reunião ontem”, afirmou Menezes, desafiando o ministro a provar o contrário com um email ou uma mensagem de WhatsApp. Nuno Melo “recusou-se a atender-me”, acrescentou o edil de Gaia, acusando-o de estar “a mentir”: "Os jovens portugueses não vão perdoar a atitude trauliteira e arrogante do ministro Nuno Melo. Ele está a mentir!"

Segundo explicou, o pedido de cedência do terreno foi apresentado há cerca de dez ou onze meses. A proposta terá recebido uma resposta favorável do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, mas, de acordo com Menezes, continua sem qualquer desenvolvimento por responsabilidade da Defesa.

O terreno em causa corresponde a um antigo campo de futebol, abandonado há aproximadamente 30 anos, situado numa zona urbana de Vila Nova de Gaia, nas proximidades de uma estação de metro.

Para o presidente da Câmara, a localização reúne condições para a construção de habitação a preços acessíveis, permitindo aumentar significativamente a oferta de casas, sobretudo para os mais jovens.

A autarquia pretende concretizar um investimento habitacional de grande dimensão, recorrendo a financiamento europeu, mas o projeto permanece dependente da disponibilização do espaço pelo Estado.