O governo sueco quer acabar com o modelo de assistência social para os menores mais violentos e substituí-lo por reclusão efetiva. A proposta será votada no parlamento a 15 de Junho e diminui a idade de responsabilidade criminal dos atuais 15 anos para os 13, abaixo da maioria dos países europeus.
A Suécia enfrenta uma vaga de criminalidade organizada, com redes ativas no tráfico de droga, fraude e roubo que geram cerca de 18 mil milhões de euros por ano. As autoridades estimam a existência de 17 500 membros ativos de gangs e outros 50 000 associados aos mesmos.
O elemento mais perturbador do fenómeno é o recrutamento de menores através das redes sociais, nalguns casos, crianças com apenas 11 anos para cometer homicídios e até atentados com bombas.
O ministro da Justiça sueco, Gunnar Strommer, não esconde a urgência. "Temos uma emergência", declarou em Abril, em declarações à agência Reuters. "No ano passado, 52 crianças com menos de 15 anos estiveram envolvidas em processos judiciais suspeitas de homicídio ou tentativa de homicídio. Não estamos a falar de furto, nem sequer de agressão ou roubo. Estamos a falar de homicídio."
Os menores condenados pelos crimes mais graves serão enviados para prisões especiais , uma delas reservada a raparigas. A lei será revista ao fim de cinco anos.
Os resultados do endurecimento da política criminal são apresentados pelo governo como encorajadores. Em 2025, 44 pessoas foram mortas a tiro, menos do que o pico de 62 óbiotos registado em 2022. Mas travar o recrutamento de crianças é considerado o desafio mais difícil.
Num continente onde a tendência dominante é proteger os menores do sistema penal, a Suécia caminha em sentido contrário. Se a lei for aprovada a 15 de Junho, tornará o país num dos poucos na Europa a encarar crianças de 13 anos como sujeitos plenos de responsabilidade criminal, uma excepção que, para os seus defensores, é o preço da segurança pública e, para os críticos, um retrocesso com consequências imprevisíveis.

















