Os trabalhadores da Lusa aprovaram esta segunda-feira, dia 12, um voto de repúdio contra o Conselho de Administração da agência de notícias, acusando-o de má gestão, desrespeito pelas normas de independência e tentativas de interferência editorial. Os profissionais exigem que o Governo esclareça se mantém a confiança na atual administração.

A resolução foi aprovada em plenário, que contou com cerca de 150 participantes, presencialmente e por via telemática, registando apenas uma abstenção. No documento, os trabalhadores apontam uma sucessão de decisões que consideram estar a provocar instabilidade na agência.

Entre as principais críticas estão a denúncia do Acordo de Empresa, a falta de negociações sobre os aumentos salariais para 2026 e a alegada ingerência editorial na contratação de chefes de delegação e na escolha de um jornalista para a delegação de Bruxelas.

A contestação surge numa altura de mudanças na direção de informação. Luísa Meireles anunciou na semana passada que aceitou uma proposta de saída apresentada pela Administração, depois de considerar que a situação se tinha tornado insustentável. A jornalista termina esta segunda-feira (12) as funções de diretora de informação.

Os trabalhadores manifestam ainda preocupação com a possibilidade de futuras direções editoriais ficarem vulneráveis a pressões da Administração, defendendo que a independência jornalística é uma linha que não pode ser ultrapassada.

A resolução critica também a desvalorização das reivindicações dos profissionais e a posição assumida pelo Conselho de Administração relativamente à deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que identificou irregularidades nos estatutos da agência.

Os estatutos da Lusa vão ser apreciados esta terça-feira, dia 13, na Assembleia da República. Os trabalhadores apelam aos partidos para que aprovem uma revisão que respeite a legislação nacional e europeia, a liberdade de informação e os direitos dos jornalistas.

Por fim, os profissionais exigem esclarecimentos sobre o plano estratégico para a empresa, lamentando não terem sido ouvidos durante a sua elaboração.