A multinacional dinamarquesa de calçado Ecco anunciou esta segunda-feira, dia 2, o encerramento definitivo da fábrica de Santa Maria da Feira, deixando 632 trabalhadores no desemprego. A decisão, comunicada de surpresa aos funcionários, põe fim a mais de quatro décadas de atividade da marca em Portugal.

A notícia foi transmitida durante uma reunião realizada esta manhã, quando a produção já estava suspensa. O encerramento será progressivo, devendo a unidade ficar totalmente desocupada no primeiro trimestre de 2027.

O presidente do Sindicato Nacional do Calçado, Malas e Afins, Fernanda Moreira, classificou a situação como "terrível", acusando a administração de não ter "humanidade nenhuma" e de tratar "as pessoas como números".

Os trabalhadores dispensados ficarão em casa, sem perda de salário, até à formalização do despedimento. Terão direito a uma indemnização equivalente a um salário por cada ano de serviço.

A Ecco justifica o encerramento com uma reestruturação mundial, que inclui também o fecho de uma fábrica no Vietname e uma possível redução de 400 postos de trabalho noutras estruturas do grupo.

"Este é um dia muito triste para todos", reconheceu o diretor-geral da Ecco Portugal, Gustavo Kremer, garantindo que a decisão "não é um reflexo" da qualidade do trabalho desenvolvido pelos funcionários.

Manuel Couto, trabalhador há 14 anos, confessou a surpresa: "Estava a contar com uma redução grande de pessoal, mas por isto não esperava."