Os trabalhadores da Lusa acusaram o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, de revelar um "total alheamento" perante as preocupações sobre a independência da agência noticiosa, depois de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ter apontado problemas ao novo modelo de governação.

A contestação surge na sequência da deliberação do regulador, que concluiu que a reestruturação da Lusa "não está conforme com o quadro normativo aplicável" nem com as recomendações e boas práticas destinadas a garantir o funcionamento independente de um órgão de comunicação social público.

A ERC alertou ainda para os efeitos que o modelo poderá ter na perceção, em Portugal e no estrangeiro, da independência da agência face ao poder político.

Os trabalhadores consideram que a posição assumida por Leitão Amaro desvaloriza sucessivos alertas feitos dentro e fora da empresa. As críticas aos novos estatutos não são recentes: a Comissão de Trabalhadores já tinha defendido uma revisão do modelo depois de a Comissão Europeia ter assinalado preocupações com a autonomia editorial da Lusa.

Também o Sindicato dos Jornalistas voltou a exigir uma intervenção do Executivo, sustentando que a decisão da ERC confirma os riscos de ingerência externa anteriormente denunciados e defendendo que o Governo deve garantir a autonomia da redação e a liberdade de imprensa.

O Executivo tem defendido, por seu lado, que o novo modelo, aprovado depois de o Estado passar a controlar a totalidade do capital da Lusa, pretende assegurar uma gestão mais profissional e transparente, incluindo um Conselho de Administração com três membros executivos e a criação de um Conselho Consultivo.