A Lusa volta a estar no centro da controvérsia. Segundo revela a edição desta semana da revista Sábado, a administração da agência de notícias adjudicou por ajuste direto um contrato de prestação de serviços de consultoria em comunicação a uma empresa cujo proprietário é tio de Afonso Guedes, membro do gabinete do ministro da Presidência, António Leitão Amaro.
De acordo com a publicação, o contrato, celebrado a 5 de maio com a empresa Miguel Guedes GMT, Lda., tem a duração de seis meses e representa um encargo total de 16.200 euros, destinando-se à consultoria de comunicação interna e externa no âmbito das comemorações dos 40 anos da agência.
Miguel Guedes tem um percurso conhecido no mundo da comunicação: foi jornalista da SIC, adjunto de Paulo Portas no Ministério dos Negócios Estrangeiros e no Ministério da Defesa e conselheiro de imprensa na embaixada portuguesa em Paris. É possivelmente esse historial que a administração da Lusa invoca para justificar a escolha. Questionado sobre como a empresa foi identificada e selecionada, o presidente do conselho de administração, Joaquim Carreira, limitou-se a afirmar que foi “convidada pela sua experiência e competência”.
A contratação surge numa altura particularmente sensível para a Lusa, marcada por debates sobre o seu modelo de governação, alterações estatutárias e críticas de trabalhadores e sindicatos quanto à salvaguarda da independência editorial. A proximidade familiar entre o consultor contratado e Afonso Guedes, elemento do gabinete do governante responsável pela tutela da Comunicação Social, está a suscitar interrogações sobre a oportunidade e os critérios que presidiram à escolha, independentemente do curriculum apresentado.
A polémica surge poucas semanas depois de outros episódios envolvendo a relação entre a tutela e a agência, incluindo as denúncias da Comissão de Trabalhadores da Lusa sobre alegadas pressões e comportamentos considerados intimidatórios por parte de elementos ligados ao Ministério da Presidência.
O gabinete de Leitão Amaro afirmou que o ministro desconhece por completo a natureza ou existência da contratação. O partido Livre pediu entretanto esclarecimentos ao Governo, considerando insuficientes as respostas prestadas até ao momento. A divulgação do contrato deverá intensificar o debate político e mediático em torno da gestão da agência noticiosa e das garantias de transparência nos processos de contratação.

















